11.30.2006

HAJA PRESENÇA DE ESPÍRITO


Isto não é invenção... é mesmo verdade! É preciso ter azar...

Explicação de um operário português á Companhia Seguradora, a qual estranhou a forma como o mesmo justificou o acidente que sofrera. Este caso é verídico.
A transcrição abaixo foi obtida através da cópia no arquivo da Seguradora. Este caso foi julgado no Tribunal da Comarca de Cascais, em Portugal.

À Companhia Real Seguros Sub-Sede de Cascais

Exmºs Senhores,

Em resposta ao pedido de informações adicionais, tenho a explicar o que segue:

No quesito 3 de minha participação a V.Exªs do acidente que sofri, mencionei "Tentando fazer o trabalho sozinho", como a causa do acidente.

Disseram na vossa carta que deveria dar uma explicação mais pormenorizada, pelo que espero que os detalhes abaixo sejam suficientes
.
Sou assentador de tijolos.

No dia do acidente, eu estava a trabalhar sozinho no telhado de um edifício novo, de 6 ( seis ) andares. Quando acabei o trabalho, verifiquei que tinham sobrado 350 quilos de tijolos.

Em vez de os levar a mão para baixo, decidi coloca-los dentro de um barril, com a ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada num dos lados do edifício, no sexto andar.

Desci e atei o barril com uma corda, fui para o telhado, puxei o barril para cima e coloquei os tijolos dentro.
Voltei para baixo, desatei a corda e segurei-a com forca, de modo que os 350 quilos descessem devagar. (De notar que no quesito 11 indiquei que pesava 80 quilos).

Devido a minha surpresa por ter saltado repentinamente do chão, perdi minha presença de espirito e esqueci-me de largar a corda.

É desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade.
Nas proximidades do 3º andar eu bati com o barril que vinha a descer. Isto explica a fractura no crânio e da clavícula partida.

Continuei a subir a uma velocidade ligeiramente menor, não tendo parado ate o nó dos dedos das mãos estarem entalados na roldana.

Felizmente que já tinha recuperado a presença de espirito e consegui, apesar das dores, agarrar-me novamente a corda.
Mais ou menos ao mesmo tempo, o barril com os tijolos caiu ao chão e o fundo partiu-se. Sem os tijolos o barril pesava 25 quilos (refiro-me novamente ao meu peso indicado no quesito 11).

Como podem imaginar, comecei a descer rapidamente.

Próximo ao 3º andar, encontro o barril que vinha a subir.
Isso justifica a natureza dos tornozelos partidos, das lacerações nas pernas, bem como da parte inferior do corpo.

O encontro com o barril diminui minha descida o suficiente que minimizou os meus sofrimentos quando cai em cima dos tijolos e felizmente só fracturei 3 vértebras.

Lamento no entanto informar, que enquanto me encontrava caído em cima dos tijolos, com dores, incapacitado de me levantar e vendo o barril acima de mim, perdi novamente a presença de espirito e larguei a corda.

O barril pesava mais do que a corda e então desceu em cima de mim, partindo-me das duas pernas.

Espero ter dado a informação solicitada do modo como ocorreu o acidente e ainda explicando que não posso assinar esta, pois ainda me encontro com os dedos engessados.

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